A personificação do pecado em Gênesis 4:7: exegese, filosofia e psicanálise
DOI:
https://doi.org/10.59771/teocon.2026v2.e026011Palavras-chave:
Gênesis 4:7. Personificação do pecado. Psicanálise.Resumo
Este artigo analisa Gênesis 4:7 sob as perspectivas exegética, filológica e interdisciplinar, com foco na personificação do pecado como “fera agachada à porta”. O texto hebraico apresenta uma construção gramatical anômala: o substantivo feminino ḥaṭṭā’ṯ rege o particípio masculino rōbēṣ, rompendo a concordância de gênero para representar o pecado como uma potência ameaçadora. O estudo recupera paralelos simbólicos do Antigo Oriente Próximo, especialmente o demônio rābiṣu, e acompanha a recepção dessa imagem na literatura bíblica e no Novo Testamento. O artigo dialoga criticamente com Agostinho, Kant, a psicanálise freudiana e a hermenêutica simbólica de Paul Ricoeur. Não se pressupõe que Gn 4:7 seja uma crônica histórica, mas sim uma narrativa teológico-literária. Conclui-se que Gênesis 4:7 resiste a reducionismos biológicos, psicológicos e metafísicos, preservando a centralidade da responsabilidade ética diante do mal como realidade liminar dependente da decisão humana.
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